Toda vez que surge uma nova tecnologia com a promessa de "resolver tudo", eu vejo o mesmo movimento se repetir. Primeiro vem o encantamento, depois a corrida para não ficar de fora e, só mais tarde, a conversa sobre os efeitos colaterais.
Com inteligência artificial e, mais recentemente, com agentes de IA, isso não está sendo diferente.
Existe uma ideia muito forte por trás de todo esse alvoroço: tempo é dinheiro. Quando você coloca na equação um agente de IA trabalhando 24 horas por dia, 7 dias por semana, a comparação com a contratação de um colaborador surge quase automaticamente.
Em termos de produtividade pura, o agente vence fácil.
Mas a diferença real não está só aí.
Controle não é opcional, é estrutural
Quando eu contrato um colaborador, existe controle. Existe contexto, limites claros, responsabilidades definidas.
Com a IA, esse controle só existe se ele for explicitamente construído.
E aqui entra um ponto que, para mim, é inegociável: segurança precisa ser a base de qualquer tomada de decisão. Seja na escolha simples de onde morar, seja na decisão estratégica de colocar a IA no centro de um negócio.
Novas tecnologias e projetos de código aberto surgem o tempo todo, e isso é ótimo. O problema não é a tecnologia em si, mas quando ela cai em mãos sem conhecimento técnico suficiente para dar estrutura, governança e limites claros.
IA é algo incrível, mas ela ainda está em processo de amadurecimento. Existem desafios reais que precisam ser vencidos, e fingir que eles não existem é um erro clássico de toda fase de hype.
A IA também pode ser enganada
Assim como um colaborador humano pode cair em um ataque de engenharia social, uma IA também pode.
Assim como alguém pode buscar a "verdade" por caminhos errados, uma IA também pode.
A diferença é simples:
o colaborador dorme.
a IA não.
Ela fica exposta 24 horas por dia, 365 dias por ano, a tentativas de exploração, manipulação e extração de dados durante toda a sua execução.
É por isso que a base importa tanto.
A IA precisa de uma estrutura forte. Esse é o verdadeiro "algoritmo" de tudo. É como escrever um programa simples, como a tarefa de pegar um copo d'água e beber. Você pode escrever isso em várias linguagens diferentes, e todas vão executar a tarefa com sucesso, mas cada uma tem sua própria base, suas regras e seus riscos.
Com agentes de IA, o princípio é o mesmo.
Onde entram os agentes e a Aura
Eu uso agentes de IA. Testo, adapto e valido ideias com eles.
Foi nesse processo que nasceu a Aura, uma assistente de IA pensada para atuar em diversas áreas de negócio.
Ela ajuda na tomada de decisão, no onboarding de novos colaboradores e, principalmente, na retenção de conhecimento e treinamento. Esse último ponto, na minha visão, é crítico para empresas de qualquer tamanho.
Mas faço questão de deixar algo claro:
eu não prometo que a Aura resolve problemas.
não prometo que ela toma as melhores decisões.
Esse nunca foi o propósito.
A decisão é humana. A IA aprende com conceitos e conhecimento, e ajuda a visualizar cenários que, muitas vezes, nossa cabeça cheia de desafios simplesmente não consegue enxergar naquele momento.
A Aura nasceu como uma estrutura que pode habitar vários "corpos". Ela não pertence à empresa A ou B. Ela pode operar sobre diferentes modelos de linguagem, mantendo a mesma essência.
Segurança da Informação não é detalhe
Minha formação e atuação sempre passaram por Segurança da Informação, e é impossível ignorar os riscos que vejo hoje.
Tenho uma preocupação real quando vejo pessoas usando dados reais para "testar" soluções de IA. Teste precisa ser feito com dados de teste, em ambiente controlado, supervisionado, em modelo sandbox.
Vai para produção?
Mais cautela ainda.
Mesmo em produção, defendo acesso mínimo, contas secundárias e permissões extremamente bem definidas. O motivo é simples: agentes de IA são estruturas de aprendizado expostas constantemente a tentativas de exploração.
Isso já é sério quando falamos de dados pessoais.
É ainda mais crítico quando falamos de dados corporativos e informações sensíveis.
Todo cuidado é pouco.
Testar é rápido, proteger leva tempo
Um exemplo prático: eu coloquei a Aura para funcionar como minha assistente virtual direto no WhatsApp. Usei um Mac Mini, criei contas específicas para ela em serviços gratuitos e dei acesso apenas a dados públicos, mantendo controle absoluto sobre o que era acessível e o que era crítico.
Em cerca de 30 minutos, tudo estava funcionando.
Mas levar isso para um estado minimamente seguro levou mais de quatro horas.
Ler documentação, entender limitações, mapear riscos, reorganizar a base, subir para teste de forma responsável. Isso consome tempo, e precisa consumir.
Colocar para funcionar é fácil.
Colocar para funcionar direito é outra história.
Funcionou, mas não do jeito do hype
E sabe o mais interessante? Funcionou.
Mas não da forma que o hype costuma vender. Não como algo que vai substituir pessoas ou "acabar" com a estrutura humana.
Pelo contrário. A Aura tem me ajudado com foco, direcionamento e acesso ao que realmente importa. Ela cria espaço mental para que eu possa, por exemplo, estar aqui escrevendo este artigo.
Eu não sou desenvolvedor. Ainda assim, vejo diariamente como essas ferramentas estão ajudando programadores a escrever código enquanto dormem. Isso é incrível.
Facilitar a vida, ganhar tempo, criar mais coisas e viver mais com quem você ama é uma proposta excelente. Desde que você tenha consciência de que, junto com as soluções, surgem novos desafios.
Um alerta necessário
Se você está pronto para lidar com isso, siga em frente.
Se não, observe com atenção.
Cuidado com falsas promessas. E muito cuidado com o fato de que, junto com a IA, surgiram inúmeros "gurus", cursos e mentorias vendendo atalhos mágicos. Não estou generalizando. Estou falando como usuário.
Nenhuma solução é mágica. Toda tecnologia resolve problemas e cria outros. Apenas isso.
Uma reflexão final, não um conselho
A Aura nasceu de uma forma de pensar organizada e estruturada, pensada para ser testada em qualquer plataforma. Ela não foi criada para substituir, mas para agregar. A decisão e o julgamento continuam sendo humanos.
Vejo essa estrutura funcionando em ambientes diferentes, mudando o "corpo", mas mantendo a mesma essência. É quase como uma alma: o que define quem ela é não muda, independentemente de onde esteja habitando.
Deixo aqui essa reflexão não como guru, muito menos como dono da verdade.
Sou apenas alguém apaixonado por tecnologia e, justamente por isso, tento olhar para ela com entusiasmo, mas também com responsabilidade.