Há tempos não escrevo, não coloco para fora pensamentos soltos tal qual aquele cigarro que você pede depois de um rolê regado a bebida barata e salgadinho sabor churrasco para distrair seu estômago.
Do ultimo texto para cá, a minha vida deu mais um 360°, igual aquele idoso patrocinado pela marca de energético e desce de skate de prédios.
Pra começar, me mudei. Sim, após um breve período sendo acolhido na casa dos meus pais, estou morando sozinho. Desta vez é diferente: sem sustos, planejado e com o apoio deles, fato que me surpreendeu bastante até. Durante o tempo dessa nova fase, aprendi, reaprendi a ter uma qualidade de vida que eu resgatei, ou melhor dizendo, que eu sempre quis.
A vida agora tem um contraste diferente, para não dizer e ser ingrato com o período na roça que hoje está melhor. Mas o fato em se deslocar para alguns lugares em menos de vinte, trinta minutos, fazem toda a diferença.
Mas algo ainda me incomoda, e não é a qualidade de vida conquistada de vez, tampouco não é o fato que minha rotina se estabeleceu como se fosse uma linha de produção de uma fábrica que aplica o fordismo. O que incomoda, tal qual a dor do siso nascendo e destruindo a arcada dentária é tentarem ditar como devo ou não viver.
Ora, o que mais tem que ser feito para que minha vida seja perfeita aos olhos de quem não viveu 1% do que passei? O que mais devo fazer para que deixar de ouvir coisas como "você não viveu sozinho o suficiente" ou "você tem que ser sozinho".
Não que me influencie pelo que dizem, mas palavras torpes incomodam, ainda mais vindo de áreas que tentam pregar uma certa virtude, como se já alcançaram o sucesso total da vida.
Nos meus quase 30 anos nas costas, uma coisa aprendi foi: o maior conselheiro para a sua vida é você mesmo, por mais que algumas decisões no fim não sejam como o planejado. Mas essa é a beleza da vida, né? Aprendemos a ganhar, perder, errar, acertar e errar novamente. Não somos a porra de robôs programados para uma mísera função, somos feitos de sentimentos, desejos, vontades e o que mais cabe no nosso coração.
A vida não é e jamais será o comercial de margarina da família feliz, ou o domingo à noite com a família reunida vendo as vídeos cassetadas do Faustão, como eu sempre quis quando via esta cena na casa dos meus pais. Ela é mais complexa que isso, e ainda bem.
Não quero cravar virtudes aqui, afinal quem sou na fila das virtudes virtuosas? Só quero tirar um pouco da minha cabeça palavras, das quais são um furacão que as vezes não consigo entender. Mas a calmaria me faz compreender o corre que minha vida é, e o tanto que posso e devo correr. Corram suas vidas da melhor maneira possível, mas sem tentar dar uma rasteira no amiguinho para tentar chegar primeiro no final, corram juntos!