mais um dia em tantos, carrego o peso da existência em minhas costas.

tento por muito, libertar-me de mim mesmo e livrar a garganta do peso do instante que se segue.

ainda não sou capaz de definir a liberdade a qual tanto almejo, mas crio consciência da utopia que é buscar a felicidade, tal estado tanto maravilhado por eras de vivência humana.

nunca quis felicidade, nunca quis paz, mas também não me conformo com o estado atual do mundo.

em todas minhas fluidas e voláteis facetas, encontro-me vivendo um dia de cada vez, calando-me conforme o caos surge e mergulhando na tempestade, tempestade essa que vem do mais cru que tenho de mim.

caminho através da lama, a qual muito me reconhece, a qual muitas vezes rastejei em meu pior, ando por ela, não como quem a superou, mas como quem a ela muito é íntimo.

por fim avisto matéria nova, cipós aculeados.

roseiras brotam da lama trazendo consigo botões de rosas vermelhas prestes a desabrochar, pergunto-me se tais durariam muito tempo, visto a mania de arrancar flores.