I Já não é mágico o mundo. Te deixaram.

Você não compartilhará mais a clara lua nem os lentos jardins. Não há mais uma lua que não seja espelho do passado,

um cristal de solidão, um sol de agonia. Adeus às mãos e aos templos mútuos que o amor uniu. Hoje você só tem uma lembrança fiel e os dias desertos.

Ninguém perde (você repete em vão) a não ser o que não tem e nunca teve, mas não basta ser corajoso

para aprender a arte de esquecer. Um símbolo, uma rosa, te despedaça, e pode te matar uma guitarra.

II

Já não serei mais feliz. Talvez não importe. Há tantas outras coisas no mundo; um instante qualquer é mais profundo e mais diverso que o mar. A vida é curta

e embora as horas sejam tão longas, uma escura maravilha nos espreita, a morte, esse outro mar, aquela outra flecha que nos liberta do sol e da lua

e de amor. A alegria que você me deu e tirou deve ser apagada; o que era tudo agora há de ser nada.

Só me resta a alegria de estar triste, esse costume vão que me inclina ao Sul, a certa porta, a certa esquina.

(tradução: Ingrid E. E.)