Em 2007, os Simpsons lançava uma perspectiva revolucionária: uma espécie de 'Under The Dome', só que na cidade de Springfield. A proposta era colocar uma grande cúpula ao redor da cidade, e até 2029, nosso primeiro Simpson humano planeja ir pelo mesmo caminho — cobrindo todo o território dos Estados Unidos da América.

Não sei o grau de afinidade do Trump com o desenho (sei sim), mas eu já vi a 'Golden Dome' na Sessão da Tarde — talvez não com esse nome. Entretanto, o 'pano' da poluição em Springfield não é mais o cenário a que assisto enquanto menino. Aqui, o investimento de US$ 175 bilhões é por um escudo de defesa antimísseis frente às ameaças do outro lado do continente — ou do espaço.

Há alguns pontos interessantes — e preocupantes — em um investimento para blindar o país de ataques que ainda não aconteceram. Isso significaria que potências rivais como China, Rússia e Coreia do Norte precisam reavaliar e reformular seus sistemas e políticas nucleares. Melhore sua defesa, que eu melhoro meu ataque. É mais ou menos assim que funciona uma parte da política.

Trump, nosso novo Cowboy Bebop, deve encontrar dificuldades em meio aos republicanos para a proposta orçamentária. Desfazer o casamento com Musk e, consequentemente, retirar das vistas o aparato tecnológico da SpaceX deve tornar o caminho mais árduo — e economicamente cada vez mais inviável.

Entretanto, nosso gênio indomável é muito ardiloso. Apresente a proposta inicial por US$ 175 bilhões e informe ao Canadá que a precificação para a integração está em US$ 61 bilhões — é daqui pra lá para um míssel cair errado no Canadá. Mas, se você (Canadá) aceitar ser o 51º estado integrado aos EUA, você não terá custos adicionais para participação do projeto. Isso é um verdadeiro xeque-mate, em dólares ou território.

Nos bastidores da política, as campanhas de Donald Trump o caracterizam como um verdadeiro estrategista: ele dá as cartas. E é interessante já que, se fosse um grande Yu-Gi-Oh, seriam cartas de defesa — mas que fez seus adversários pensarem em todo seu deck de ataque. Talvez eu esteja vendo desenhos demais, mas arrisco dizer que o Trump também não perderia uma TV Globinho.