É quando a gente decide que não quer senti-la. É nesse momento que algo dentro de nós se retrai, se cala, como se dissesse: "Se você não aguenta, então não é digno de continuar".
E a vida, teimosa, continua a doer. Não como castigo, mas como contraste. Para que o riso seja mais riso. Para que a alegria brilhe diferente depois da melancolia. Sem conhecer o peso da tristeza, como reconheceríamos a leveza da felicidade?
Quando, em vez de me permitir chorar, corro para fugir, eu digo ao meu corpo: "A gente não suportaria essa dor". E, nesse ato, arranco de mim a própria chance de superação. E sem superação… não há vida.
Mas a vida não é feita só de quedas. Existe também o prazer do cheiro de café recém-passado mesmo para quem nem gosta de café. O sabor da comida favorita. O perfume de quem amamos. A risada escandalosa da melhor amiga. O toque do sexo com o amado… ou nem tão amado assim.
Não podemos apagar os desprazeres eles nos moldam. Mas podemos, e devemos, viver os prazeres como se fossem a razão de estarmos aqui. Porque talvez… eles realmente sejam.
