202 anos de farsa.

Desde a infância, por meio das escolas, o Estado ensina às nossas crianças uma fábula que ainda permeia o nosso imaginário coletivo. No dia 7 de setembro de 1822, um animal em cima de seu cavalo branco gritou: "INDEPENDÊNCIA OU MORTE!". A moral da história? A independência nunca ocorreu, e a morte foi a escolha feita pelo Império brasileiro.

Mesmo após o alcance de uma suposta soberania nacional, os povos negros e indígenas ainda eram escravizados e mortos pelos donos de terra. É irônico que a dita "independência" tenha perpetuado a escravidão, mantido a estrutura agrária inalterada, concedido aos proprietário de terra patente de coronel e, com isso, o direito de formar milícias locais. Assim, perpetuou-se o assassinato dos povos indígenas, pessoas escravizadas e também a perseguição e repressão a toda e qualquer tipo de oposição. A transição do Império para a República não significou uma verdadeira emancipação para os trabalhadores, nem uma alteração substancial nas relações de poder, uma vez que a estrutura de exploração e desigualdade apenas se manteve sob nova aparência e nomenclatura. O Brasil deixou de ser colônia no papel, com o pagamento de 3 milhões de libras esterlinas enviadas aos bancos da Inglaterra, mas o papel se rasga e a história vive para provar que um mero contrato entre senhores não é capaz, ou sequer tem interesse de libertar um povo de suas amarras. A libertação do povo se dará pelas nossas próprias mãos!

Hoje, em uma democracia burguesa, somos escravizados pelo Capital, dominados pelas ideias da burguesia e submetidos a moldes de exploração de suas multinacionais. Os métodos de exploração se refinaram e evoluíram, mas nem por um milésimo de segundo ficaram menos crueis. A independência esbravejada em 1822 não significou, em momento algum, a independência para quem não estava inserido na parte rica da população, e, em 2024, quer dizer muito pouco diante das nossas relações sociopolíticas, de trabalho e de econômica global.

Estamos em um país de economia dependente, o qual exporta matéria prima e retira alimento do prato de sua população com o objetivo de exportá-lo para as grandes nações mundo afora. Além disso, enquanto o agronegócio recebe bilhões de incentivo por meio do Estado e continua a nos envenenar, apodrecer nosso solo, queimar nossas florestas, poluir nossos mares e ar, a agricultura familiar carece de incentivo por parte do Governo, sendo ela a verdadeira responsável por alimentar o povo brasileiro. Agro é fome! Agro é fogo! Agro é morte!

No estado de Alagoas, o caso da cidade de Maceió é um dos exemplos mais gritantes da submissão do Estado brasileiro ao capital estrangeiro. A prefeitura da cidade, em conchavo com a Braskem, uma multinacional do setor petroquímico, promoveu um verdadeiro crime socioambiental ao priorizar os interesses de uma corporação em detrimento da vida e da dignidade de milhares de alagoanos. A Braskem, que atuava na extração de sal-gema, causou danos irreversíveis a vários bairros de Maceió, resultando no afundamento de casas, prédios e ruas. Com isso, bairros inteiros foram lançados ao desespero, uma vez que a população local foi desalojada de suas casas sem qualquer amparo real por parte do governo.

Em nome do lucro, bairros tradicionais como Pinheiro, Bebedouro, Mutange e Bom Parto foram praticamente destruídos. A Braskem, por sua vez, continua a operar livremente, enquanto o governo mantém-se em silêncio ou oferece soluções paliativas que não atacam o cerne do problema.

Quando enxergamos a realidade do nosso povo, entendemos que a "independência" foi um marco vazio para aqueles que continuam a viver sob as mesmas formas de exploração e desigualdade, agora mascaradas por uma fachada de autonomia nacional. Andamos sob uma nação construída pelos filhos deste solo, mas que fique claro: essa nação nunca foi gentil com o seu povo.

Independência para nós, morte aos senhores!

Texto do Movimento FORÇA

07/09/2024